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Colares, 1977: A Ilha que Foi Atacada pelo Céu ⏱ 22 min

Imagem de capa: Colares, 1977: A Ilha que Foi Atacada pelo Céu

Uma Ilha no Coração do Pará

No segundo semestre de 1977, uma onda de relatos sobre luzes desconhecidas se espalhou por várias localidades do Pará. Santo Antônio do Tauá, Vigia, Santo Antônio do Umbituba e Mosqueiro aparecem nas comunicações militares e nos depoimentos de moradores, mas foi a ilha de Colares que concentrou a maior parte das histórias.

Foi ali que nasceu um dos episódios mais conhecidos da ufologia brasileira: o Chupa-Chupa.

Os moradores falavam de luzes que surgiam à noite, cruzavam o céu e, em alguns relatos, lançavam feixes luminosos sobre as pessoas. O medo tomou conta. Famílias passaram a dormir em grupo ou a ficar acordadas até o amanhecer, acendendo fogueiras, soltando fogos e batendo panelas para espantar as luzes. A imprensa de Belém acompanhou o caso, e as prefeituras da região pediram ajuda às Forças Armadas. O pedido chegou ao I Comando Aéreo Regional (I COMAR), sediado em Belém e então comandado pelo brigadeiro Protásio Lopes de Oliveira.

Em 20 de outubro de 1977, uma equipe da 2ª Seção (A-2, setor de informações) do I COMAR seguiu para a região. Começava a Operação Prato.

Quem imagina uma operação secreta dedicada só a caçar extraterrestres vai encontrar, nos documentos, algo bem mais terreno: militares entrevistando moradores, preenchendo fichas de observação, fazendo croquis, fotografando o céu e escrevendo relatórios. E, junto com tudo isso, muitas dúvidas.


Quando os Militares Foram Investigar

A primeira missão durou de 20 de outubro a 11 de novembro de 1977.

A equipe inicial tinha três sargentos da A-2: João Flávio de Freitas Costa, Moacir Neves de Almeida e Álvaro Pinto dos Santos. O trabalho era ouvir os moradores e, sempre que possível, ver com os próprios olhos o que eles descreviam. Flávio Costa, que era meteorologista, ficou responsável por boa parte dos relatórios, desenhos e fotografias.

Levaram máquina fotográfica, teleobjetiva, binóculo, teodolito meteorológico, gravador e rádios portáteis. Esse detalhe importa, porque mostra que a Operação Prato não é só um conjunto de histórias contadas décadas depois. Há papel produzido na época: relatórios do I COMAR, fichas de observação, depoimentos, documentos do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI) e fotografias. Boa parte desse material hoje está no Arquivo Nacional, aberto à consulta.

Médicos da Aeronáutica também foram a Colares, chegando nos dias 26 e 27 de outubro. A investigação não se limitava a olhar o céu: os militares queriam entender o que havia acontecido com as pessoas que diziam ter sido atingidas pelos raios.


O Que Era o "Chupa-Chupa"?

O nome veio da própria população. "Chupa-chupa" virou a forma de falar das luzes que, segundo os relatos, se aproximavam das pessoas e projetavam feixes sobre elas. Também se ouvia falar em "luz vampira".

A crença popular era assustadora: as luzes estariam sugando sangue ou energia das vítimas. Os documentos militares são mais cuidadosos. Eles registram o que as pessoas disseram ter vivido, sem endossar a interpretação dos moradores.

Um relatório dizer que alguém afirmou ter sido atingido por uma luz não significa que a Força Aérea tenha concluído que algo desconhecido atacou aquela pessoa. É essa separação entre relato, observação militar e conclusão que torna os papéis da Operação Prato tão interessantes de ler.


As Luzes que Apareciam Sobre Colares

As descrições variam bastante. Algumas testemunhas falaram em objetos circulares, outras em formas cilíndricas, e muitas descreveram apenas luzes sem contorno definido. As cores iam do amarelo ao vermelho, passando por azul e verde, às vezes misturadas. Em vários registros, os observadores arriscaram distâncias, altitudes, tamanhos e velocidades.

Os próprios militares fizeram observações já na primeira missão. Há fichas com objetos classificados como indefinidos, circulares ou simplesmente luminosos, com estimativas de altitude muito diferentes entre si. Num desses registros, um objeto circular azulado foi visto sobre a água, com velocidade estimada acima de 300 km/h. Em outro, uma luz amarelo-avermelhada teria passado a uns 100 metros de altura.

São estimativas de quem estava olhando, não medições de instrumento. Ainda assim, mostram que a equipe tentava registrar o fenômeno de forma organizada.


As Vítimas e os Relatos de Ferimentos

É aqui que o caso fica mais controverso. Os moradores diziam que as luzes causavam efeitos no corpo: amortecimento ou paralisia parcial, dor de cabeça, tontura, fraqueza, tremores, sensação de calor, queimaduras leves e pequenas marcas ou furos na pele.

Esses relatos não ficaram restritos às conversas de vizinhos. A equipe da Operação Prato ouviu a médica Wellaide Cecim Carvalho, que dirigia a unidade sanitária de Colares desde o fim de 1976.

No relatório militar, ela fala de quatro pacientes que atendeu pessoalmente e descreve paresia, cefaleia, astenia, tonturas, tremores generalizados, queimaduras de primeiro grau e pequenas marcas de perfuração. Nos homens, as marcas estavam sobretudo no pescoço; nas mulheres, na região do seio.

A médica não atribuiu as lesões a um objeto extraterrestre. Ela registrou sintomas em pacientes que diziam ter sido atingidos por luzes e chegou a considerar que um feixe luminoso pudesse estar envolvido, mas não disse de onde ele vinha. Isso é bem diferente de afirmar que a medicina comprovou um ataque alienígena.


O Que a Médica Disse Depois

O depoimento de 1977 tem um peso especial porque foi tomado durante a própria investigação. Mas Wellaide Cecim voltou a falar do assunto muitos anos depois, e com números bem maiores.

Em fevereiro de 2005, em entrevista ao jornalista Carlos Mendes, do jornal O Liberal, ela disse ter atendido cerca de 80 vítimas das luzes e contou que a Aeronáutica a pressionava para convencer a população de que tudo não passava de alucinação coletiva, o que ela diz ter se recusado a fazer.

As duas versões não se anulam necessariamente. O relatório de 1977 cita os pacientes que ela mencionou naquele depoimento específico, e a entrevista de 2005 é a memória dela quase trinta anos depois. Mas é importante saber de qual das duas fontes cada número vem.

Para quem procura uma história extraordinária, a diferença parece pequena. Para quem procura evidência, ela é enorme.


Quantas Pessoas Foram Realmente Feridas?

Com o tempo, ficou comum ler que centenas de pessoas foram atacadas pelas luzes. Os documentos são bem mais específicos.

Na primeira missão, os militares ouviram 39 moradores de Colares, Santo Antônio do Tauá e localidades de Vigia. No depoimento médico desse período aparecem os quatro pacientes de Wellaide Cecim. Isso não quer dizer que só quatro pessoas em toda a região relataram sintomas, mas que esses são os casos ligados diretamente ao depoimento registrado naquele documento.

A história de Colares não precisa de números inflados para ser intrigante. Os papéis, por si só, já são bastante incomuns.


Uma Segunda Missão

A investigação continuou. Uma segunda missão aconteceu entre 25 de novembro e 5 de dezembro de 1977, desta vez concentrada na sede de Colares, com novas observações e entrevistas. O capitão Uyrangê Hollanda, chefe operacional da missão, chegou à região em 29 de novembro.

As luzes continuaram sendo relatadas, mas a documentação dessa fase não mostra a mesma concentração de supostos ataques que as versões populares atribuem ao período anterior. Os relatos mudavam com o tempo, e nem todos eram do mesmo tipo.


Quantos Fenômenos Foram Registrados?

O número de registros é muito usado para mostrar a importância do caso, mas é preciso saber o que está sendo contado.

O documento conhecido como Resumo Sintético-Cronológico reúne 284 registros de 1977 e 1978: 195 do primeiro ano e 89 do segundo. Já o Registro de Observações de OVNI do I COMAR traz 130 registros, sendo 82 de 1977 e 48 de 1978.

As duas listas têm critérios e abrangências diferentes. A primeira junta um conjunto mais amplo de observações e relatos, incluindo casos que depois foram atribuídos a satélites e outras fontes conhecidas. A segunda reúne as observações que a estrutura militar considerou relevantes. Por isso não é correto dizer que "a FAB registrou 284 OVNIs". São 284 entradas de observações e relatos, não 284 objetos diferentes.


Colares Era Realmente o Centro do Fenômeno?

Nos registros, Colares aparece como o principal ponto de concentração.

Numa compilação do material da operação, 58 das 122 observações de 1977 feitas pelas equipes da A-2 (ou por agentes acompanhados de civis) foram em Colares. A Baía do Sol, na ilha de Mosqueiro, aparece em seguida, com 39 observações no mesmo conjunto.

Isso ajuda a explicar por que Colares virou o símbolo do caso: não era a história de uma família só, havia relatos por toda a região. Mas vale lembrar que os números também refletem onde os militares estavam posicionados. Quem vigia mais um lugar acaba registrando mais coisas nele.


As Fotografias da Operação Prato

As fotos são uma das partes mais famosas do caso. Os agentes foram a campo com equipamento fotográfico, e muitas imagens associadas à operação mostram pontos de luz no céu noturno.

O problema é que fotografar um ponto luminoso não diz o que ele é. A foto prova que havia uma fonte de luz, mas não revela se era um avião, um planeta, uma estrela, um satélite, um fenômeno atmosférico ou outra coisa.

E há uma controvérsia séria sobre parte desse material. Em outubro de 2007, Fernando Costa, filho do sargento Flávio Costa, contou em entrevista por e-mail ao Portal Vigília e ao site Ceticismo Aberto que, durante a operação, o I COMAR montou um laboratório de revelação na casa da família. Segundo ele, por raiva da ausência do pai, passou a "sacanear", ampliando qualquer ponto luminoso do filme que parecesse um disco voador, e depois achava graça ao ver algumas dessas imagens em livros de ufologia.

Isso não torna todas as fotografias falsas, mas impede que sejam tratadas como prova incontestável. Cada imagem precisa ser analisada individualmente, junto com o caminho que percorreu até ser publicada.


O Relatório que Mostra os Militares Também Sem Respostas

Os documentos não chegam a uma conclusão simples. Um relatório do SNI de novembro de 1977 descrevia a investigação em andamento e mencionava que as luzes haviam sido fotografadas, mas registrava também que não havia consenso dentro da equipe sobre o que estava sendo visto.

O mesmo relatório cita que uma das fotos tidas como mais impressionantes teria sido atribuída ao planeta Vênus pelo próprio chefe da operação. Ou seja, os investigadores consideravam explicações astronômicas e tentavam separar o que era conhecido do que continuava sem identificação.

Nem sempre conseguiam, e nem sempre os documentos deixam claro qual foi a conclusão para cada observação. O que eles preservam é a incerteza, e isso é mais interessante do que qualquer suposta confirmação.


O Papel do Capitão Hollanda

O capitão (depois coronel) Uyrangê Bolivar Soares Nogueira de Hollanda Lima acabou se tornando o rosto da Operação Prato. Foi ele quem deu nome à operação.

Em 1997, vinte anos depois do trabalho de campo, Hollanda deu uma longa entrevista gravada aos ufólogos Ademar José Gevaerd e Marco Antônio Petit, da Revista UFO. Disse que a equipe havia produzido centenas de fotografias e horas de filme e descreveu encontros próximos com os objetos. A entrevista teve enorme repercussão e é até hoje a principal fonte das versões mais dramáticas do caso.

Poucos meses depois, em 2 de outubro de 1997, Hollanda foi encontrado morto em casa. A morte foi registrada como suicídio, o que alimentou todo tipo de especulação nos círculos ufológicos.

Os depoimentos de Hollanda são fontes sobre a memória e a interpretação dele, contadas duas décadas depois. Eles não substituem os documentos de 1977. Para estudar Colares a sério, é preciso colocar lado a lado os papéis militares, os relatos dos moradores, os depoimentos médicos, as fotografias, os relatórios do SNI e os testemunhos posteriores, e ver onde eles concordam e onde se separam.


Jacques Vallée em Colares

O caso também atraiu pesquisadores de fora. O astrofísico e ufólogo francês Jacques Vallée esteve no Brasil em 1988, conversou com pessoas ligadas aos acontecimentos, incluindo Wellaide Cecim, e tratou dos episódios do Pará no livro Confrontations (1990).

Uma afirmação que se repete muito é a de que Vallée "confirmou" que as vítimas foram expostas a radiação eletromagnética de alta intensidade. Isso vai além do que as fontes sustentam. Vallée levantou hipóteses; o que existe de concreto é um conjunto de relatos médicos e de testemunhas sobre lesões cuja causa nunca foi estabelecida de forma independente. Dizer que os documentos "comprovam radiação" é transformar hipótese em conclusão.


O Mistério dos Feixes de Luz

Os raios são a característica mais famosa do caso. Segundo os moradores, as luzes projetavam feixes estreitos sobre as pessoas. Alguns falavam em paralisia ou dormência, outros em calor, dor, choque ou queimadura.

Num levantamento feito a partir dos relatórios da primeira missão aparecem dezenas de referências a esses efeitos. Mas os registros documentam o que testemunhas e pacientes relataram. Não há medição publicada mostrando que tipo de radiação seria aquela, nem análise física que permita afirmar que uma tecnologia desconhecida produzia os efeitos.

O mistério continua exatamente nesse ponto.


O Que a Operação Prato Conseguiu Descobrir?

A resposta é um pouco desconfortável. A operação documentou uma onda de relatos, registrou observações feitas por militares, entrevistou moradores, reuniu descrições de objetos e de efeitos físicos, produziu fotografias e deixou um retrato do medo que tomou a região.

O que ela não fez foi estabelecer publicamente a natureza das luzes. Não existe uma conclusão oficial dizendo que eram extraterrestres, e também não existe uma conclusão dizendo que tudo era fraude. O resultado é bem menos cinematográfico: uma coleção grande de observações, relatos e hipóteses sem identificação definitiva. Talvez por isso o caso continue vivo.


O Arquivo Militar

A Operação Prato também é uma história de papéis. Parte do material circulou entre pesquisadores e jornalistas antes de qualquer liberação oficial, e o restante foi sendo liberado oficialmente e transferido ao Arquivo Nacional, onde hoje integra o acervo sobre OVNIs junto com documentos da Aeronáutica e do SNI. Entre eles está um dossiê do SNI de 86 páginas sobre o caso.

O resultado é um acervo fragmentado, com documentos oficiais, cópias que circularam antes da liberação, transcrições, fotografias e versões diferentes sobre o mesmo fato. Isso dificulta a pesquisa, mas também a torna possível: ao contrário de muitos casos baseados só em relatos de segunda mão, Colares tem bastante documentação da própria época.

A busca por material inédito continua. Em setembro de 2022, a 3ª Vara Federal de Florianópolis negou uma ação que pedia a liberação de vídeos que teriam sido gravados pela Aeronáutica durante a operação. Na resposta à Justiça, a Força Aérea informou que a busca pelo termo "operação prato" no sistema do Arquivo Nacional retornava seis documentos e que nenhum deles era audiovisual. O juiz entendeu que o material conhecido já é público e que não havia prova de que os filmes citados em entrevistas existissem nos arquivos oficiais.


O Que os Documentos Não Provam

Talvez esta seja a parte mais importante. Os documentos não demonstram que os objetos eram extraterrestres, que havia naves sobre Colares, que as vítimas tiveram sangue retirado, que os feixes eram armas ou que as lesões vieram de alguma radiação desconhecida. Também não demonstram que todas as fotos mostram objetos físicos, nem que todos os relatos tinham a mesma causa.

O que eles mostram é outra coisa: que muita gente relatou fenômenos luminosos, que a Força Aérea levou isso a sério a ponto de mandar equipes para o campo, que militares fizeram observações e as registraram de forma sistemática, que médicos foram envolvidos e que relatos de efeitos físicos entraram em documentos oficiais.

Isso, por si só, já é uma história extraordinária.


O Que Poderia Explicar Colares?

Existem várias possibilidades, e elas não se excluem.

A primeira são fenômenos comuns mal identificados. A região tem muita atividade atmosférica, tráfego de barcos e de aviões, e observações noturnas são difíceis de interpretar. A segunda são objetos astronômicos: planetas brilhantes, estrelas e satélites podem parecer estranhos perto do horizonte ou sob certas condições do ar, e o próprio caso da foto atribuída a Vênus mostra isso. A terceira são fenômenos atmosféricos ou ópticos. A quarta, aeronaves ou equipamentos convencionais que os observadores não sabiam reconhecer.

E existe a hipótese extraordinária. Alguns pesquisadores defendem que houve presença de tecnologia não humana, mas os documentos disponíveis não demonstram isso. A ciência não descarta uma ideia por ela ser extraordinária, mas pede evidência à altura, e em Colares essa evidência ainda não apareceu.

A Grande Contradição de Colares

O mais fascinante do caso talvez seja justamente sua contradição. Há documentação militar, mas ela não resolve o fenômeno. Havia observadores treinados, mas as observações são difíceis de interpretar. Há fotografias, mas são ambíguas. Há depoimentos médicos, mas nenhuma causa identificada para as lesões. Há relatórios, mas nenhum conclusivo. E há quase cinquenta anos de pesquisa sem resposta definitiva.

A Operação Prato transformou uma lenda local num arquivo enorme, sem conseguir transformar esse arquivo numa explicação.


O Que Aconteceu Depois?

Os relatos foram diminuindo e a operação foi encerrada pelo brigadeiro Protásio em 5 de dezembro de 1977, último dia da segunda missão. As anotações, porém, não pararam: documentos ligados ao I COMAR registram observações também ao longo de 1978.

Nos anos seguintes, pesquisadores voltaram à região, novos depoimentos foram publicados, documentos foram liberados e antigos participantes da operação deram entrevistas. Cada novidade parecia acrescentar uma peça, mas quase sempre trazia novas perguntas.

Colares Depois da Operação

O episódio ficou gravado na memória da população e, com o tempo, o Chupa-Chupa virou parte da identidade cultural da ilha. Colares passou a ser lembrada como a cidade dos discos voadores, tema de livros, documentários, reportagens e pesquisas acadêmicas, e hoje atrai até um turismo ligado à ufologia.

A fama trouxe um problema: quanto mais a história era contada, mais difícil ficou separar o que está nos documentos de 1977 daquilo que foi acrescentado depois.


A História Contra a Lenda

Colares não precisa ser diminuída para ser tratada com rigor. A realidade documental já é extraordinária: uma comunidade inteira entrou em pânico, prefeituras pediram ajuda, a Força Aérea mandou agentes, militares viram coisas que não souberam explicar, moradores foram entrevistados, médicos foram ouvidos, fotos foram feitas, relatórios foram escritos e o SNI acompanhou tudo.

Isso é fato histórico. O que continua desconhecido é a causa, e essa diferença precisa ser preservada.


O Que Realmente Sabemos

PerguntaEstado atual
Onde ocorreu o principal foco da investigação?Colares e outras localidades do Pará
Quando os relatos ganharam intensidade?Segundo semestre de 1977
O que era o "Chupa-Chupa"?Nome popular dado às luzes e aos supostos ataques relatados por moradores
A FAB investigou os acontecimentos?Sim, por meio do I COMAR, em Belém
Qual foi o nome da operação?Operação Prato
Quando ocorreu a primeira missão?20 de outubro a 11 de novembro de 1977
Houve uma segunda missão?Sim, de 25 de novembro a 5 de dezembro de 1977
Militares observaram fenômenos?Sim, existem registros de observações
Foram entrevistados moradores?Sim, 39 na primeira missão
Houve relatos de efeitos físicos?Sim
A médica Wellaide Cecim relatou lesões em pacientes?Sim
As lesões tiveram causa comprovada?Não
Existem fotografias associadas à operação?Sim
Todas as fotografias são confiáveis?Não, parte delas foi ampliada de forma intencional, segundo o filho do sargento Flávio Costa
Os documentos são públicos?Sim, estão no Arquivo Nacional
A operação comprovou origem extraterrestre?Não
O fenômeno recebeu uma identificação definitiva?Não

Conclusão: A Ilha que Continua Sem Resposta

Colares segue sendo um dos capítulos mais intrigantes da história dos fenômenos aéreos não identificados no Brasil. Não porque exista uma foto perfeita de uma nave, nem porque um laboratório tenha identificado tecnologia alienígena, nem porque a Força Aérea tenha declarado que extraterrestres atacavam moradores. Nada disso aconteceu.

O que aconteceu foi outra coisa. Em 1977, uma onda de relatos sobre luzes desconhecidas espalhou medo por comunidades do Pará, a ponto de mobilizar o serviço de inteligência da Aeronáutica. Militares foram a campo, observaram, entrevistaram, fotografaram e escreveram relatórios, e o fenômeno ficou sem explicação definitiva.

Quase meio século depois, é isso que continua marcando o caso. Não há resposta escondida numa fotografia perfeita nem conclusão simples perdida em algum relatório. Há um grande conjunto de documentos que permite reconstruir parte do que aconteceu, mas não permite dizer com segurança o que eram aquelas luzes.

Talvez fossem fenômenos comuns mal identificados. Talvez acontecimentos diferentes tenham sido reunidos sob o mesmo nome. Talvez o medo e a imprensa tenham aumentado alguns relatos. E talvez uma parte do que aconteceu ainda não tenha explicação satisfatória. É nesse espaço, entre o documento e o desconhecido, que Colares continua viva.



Fontes e Referências

Nota Editorial

Este artigo é baseado em relatos documentados, investigações oficiais, depoimentos de testemunhas e fontes acadêmicas e jornalísticas verificáveis, listadas ao final do texto.

O Casos Ufológicos não afirma nem nega a existência de vida extraterrestre ou de tecnologia de origem não humana. Nossa missão é apresentar o que está documentado e deixar que você forme sua própria conclusão.

Erros, omissões ou sugestões: contato@casosufologicos.com.br

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