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Caso Peropava: O Objeto que Mergulhou no Rio de Iguape em 1963 ⏱ 12 min

Imagem de capa: Caso Peropava: O Objeto que Mergulhou no Rio de Iguape em 1963

Caso Peropava: O Objeto que Mergulhou no Rio de Iguape em 1963

Na tarde de 31 de outubro de 1963, uma menina de oito anos estava sentada no trapiche em frente à casa dos pais, na margem esquerda do rio Peropava, em Iguape, no Vale do Ribeira paulista. Ela contou ter ouvido um ruído forte, olhado para cima e visto algo brilhante descendo do céu — algo que raspou o telhado da casa, bateu numa árvore, quicou sobre a água e afundou.

Nada foi recuperado. Mergulhadores trabalharam no local por semanas, um deles disse ter tocado algo metálico no fundo, e as buscas foram abandonadas em fevereiro de 1964.

O caso Peropava é um dos episódios mais citados da ufologia brasileira. Também é um dos mais mal contados: a data circula errada em boa parte das fontes, atribuições de imprensa e de investigação aparecem sem lastro, e o relato de uma única criança costuma ser apresentado como consenso de dezenas de testemunhas.

Este texto separa o que está documentado do que apenas se repete.

Contexto

O Brasil de 1963 já vivia sua própria "onda de discos voadores". A ufologia nacional havia ganhado projeção pública desde os anos 1950, impulsionada pela imprensa ilustrada e por casos que dominaram bancas e conversas.

Nesse ambiente, um objeto caindo em um rio do interior paulista era, ao mesmo tempo, uma notícia local e uma peça que se encaixava numa narrativa maior já em curso.

O rio Peropava corre pelo município de Iguape, no Vale do Ribeira, e deságua na Ribeira de Iguape. É uma região de mata, várzea e navegação fluvial — e, no ponto em questão, de fundo lodoso. Esse detalhe geológico se tornaria decisivo.

O Avistamento

Segundo os relatos, o episódio ocorreu por volta das 14h de 31 de outubro de 1963, nas proximidades do Capivari, a cerca de oito quilômetros da antiga BR-2.

A testemunha central é Rute de Souza, então com oito anos. Ela relatou ter ouvido um barulho que associou a um avião a jato pequeno voando baixo. Ao levantar os olhos, teria visto um objeto luminoso e brilhante, comparado nas fontes a uma enorme vasilha de alumínio polido, descendo do sul.

O objeto teria raspado o telhado da casa, colidido com uma árvore a poucos metros dali, dado três saltos sobre a superfície, atravessado o curso d'água e mergulhado do lado oposto.

Rute descreveu a água "fervendo", como quando se resfria um ferro quente, seguida de espuma que demorou a se dissipar.

Outras pessoas relataram frações do evento:

A Cronologia dos Dias Seguintes

Um detalhe raramente mencionado contradiz a versão popular de que uma multidão se formou no local em minutos.

Segundo o relato da mãe, ela passou os dois dias seguintes ouvindo o rádio para saber se havia ocorrido algum acidente aéreo na região. Como nada foi noticiado, pediu a um lavrador vizinho que comunicasse o fato às autoridades de Iguape.

Ou seja: a família não interpretou o evento imediatamente como algo extraordinário. Tentou primeiro a explicação convencional — um avião caindo.

Cronologia do caso

DataAcontecimento
31/10/1963Avistamento e queda relatados, por volta das 14h
Início de nov. 1963Família comunica o fato às autoridades de Iguape
11/11/1963Primeiros mergulhos; suspensos ao fim da tarde, sem resultado
13/11/1963Diário do Paraná noticia o caso e a ausência de resultados
14/11/1963Novo texto do mesmo jornal, com depoimentos das testemunhas
07/12/1963O jornal retorna ao assunto, mencionando novos mergulhadores
28/02/1964Informação de São Paulo dá as buscas por encerradas

As Buscas

Mergulhadores foram levados ao local a pedido de repórteres. As fontes nomeiam Caetano Germano Iovvane, Manoel Batista de Andrade e Peter Runge, ligados à Associação Cristã de Moços. Em dezembro, teriam se somado Gigi del Mashio, mergulhador conhecido em São Paulo, um técnico identificado como Vicentino, e Luís Arenas Blasques.

As descrições do ambiente subaquático são consistentes entre as fontes: água turva, correnteza e um fundo de lama e argila com espessura considerável — segundo o relato divulgado pela APRO, cerca de 3,5 metros de profundidade d'água e algo em torno de 4,5 metros de sedimento mole abaixo disso.

Em determinado momento, os investigadores passaram a sondar o fundo com varas de bambu, auxiliados por canoeiros locais.

As buscas foram encerradas por falta de condições técnicas. Nada foi recuperado.

Ficha Técnica do Caso

InformaçãoDados
Data31 de outubro de 1963
HorárioAproximadamente 14h
LocalRio Peropava, Iguape, São Paulo, Brasil
Coordenadas atribuídas ao pontoAprox. 24°39' S / 47°31' W
Testemunha principalRute de Souza, 8 anos
Nº de testemunhas nomeadas5
Forma relatadaDiscoide, comparado a uma bacia
Cor relatadaAlumínio polido, brilhante
Tamanho estimadoDivergente: de cerca de 2 m a cerca de 7,6 m
MovimentoDescida ruidosa; colisão com árvore; saltos sobre a água
DuraçãoSegundos
RadarNão informado nas fontes consultadas
FotografiasNenhuma conhecida
VídeosNenhum
Evidências físicas recuperadasNenhuma
Investigação oficial documentadaNenhuma localizada
StatusSem identificação definitiva

As Versões Divergem

Três pontos importantes não têm versão única nas fontes.

Tamanho

Um dos vizinhos estimou que o objeto não passaria de dois metros de diâmetro. A APRO, a partir do depoimento do lavrador japonês, chegou a cerca de 25 pés — aproximadamente 7,6 metros. A diferença é de quase quatro vezes, o que basta para mostrar a fragilidade de qualquer estimativa dimensional neste caso.

O que foi atingido

A versão mais divulgada diz que o objeto bateu no topo de uma palmeira. Outro relato fala do tronco de uma árvore junto ao curso d'água. O próprio compilador da fonte de 1965 registrou o conflito entre as duas descrições.

A trajetória

Uma versão descreve queda descendente desde o céu. A versão da APRO descreve voo nivelado, a cerca de seis metros de altitude, até a colisão com a árvore — e só então o movimento errático que levou as testemunhas a concluir que "havia algo errado".

O Que as Fontes Realmente Dizem

Este é o ponto em que o caso Peropava exige mais cuidado do que costuma receber.

Imprensa contemporânea localizada: o jornal identificado nas fontes é o Diário do Paraná, com textos em 13 e 14 de novembro e 7 de dezembro de 1963. Em fevereiro de 1964, uma informação atribuída a um jornalista do Diário de São Paulo dava conta do encerramento das buscas.

Fontes ufológicas: o registro mais antigo do caso está no Boletim APRO de janeiro de 1964, publicação da organização norte-americana Aerial Phenomena Research Organization. Uma reconstituição mais longa foi publicada na revista Exploring the Unknown em dezembro de 1965. A partir daí, o caso foi replicado em dezenas de livros de ufologia ao longo das décadas de 1960 e 1970.

Há ainda uma lacuna documental relevante: as edições do Diário do Paraná de 1963 estão digitalizadas na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, mas a consulta direta às páginas não foi realizada para este artigo. O texto primário do caso, portanto, ainda não foi lido em sua forma original. Praticamente tudo que circula hoje sobre o Peropava é reprodução de reprodução.

Possíveis Explicações

Nenhuma explicação convencional foi estabelecida. Mas nenhuma foi descartada por evidência, e vale registrar que a própria fonte de 1965 tratava o objeto como uma incógnita entre "satélite, foguete ou disco voador" — não como uma nave.

Hipóteses convencionais que permanecem abertas:

Hipótese não convencional:

O Que Permanece Sem Resposta

Conclusão

O caso Peropava é, em termos documentais, mais frágil do que sua reputação sugere — e mais interessante do que a versão inflada que circula.

O que está documentado: que jornais brasileiros noticiaram, em novembro e dezembro de 1963, a queda de um objeto no rio Peropava; que mergulhadores identificados por nome trabalharam no local por semanas; e que as buscas foram encerradas sem resultado no início de 1964.

O que é relato: tudo o mais. A forma do objeto, o brilho, os saltos sobre a água, a fervura, o metal tocado no fundo. Nada disso foi registrado por instrumento, fotografado ou recuperado.

O que é especulação: qualquer afirmação sobre origem, propulsão, materiais ou intenção.

O que torna o Peropava digno de atenção não é a possibilidade de haver um artefato enterrado no lodo. É o fato de um episódio inteiro da ufologia brasileira ter se construído sobre o depoimento de uma menina de oito anos, replicado por décadas sem que ninguém, aparentemente, tenha voltado às páginas de jornal originais.

Isso não invalida o caso. Mas define exatamente o que ele é: um relato bem preservado e mal verificado, sem identificação definitiva até hoje.

Fontes e Onde Verificar

Fontes primárias a consultar (pendentes):

Fontes secundárias utilizadas:

COORDENADAS CATALOGADAS NO GLOBO 3D
◎ LOCALIZAR NO GLOBO — QUEDA NO RIO PEROPAVA - IGUAPE, SP (BRASIL)
Nota Editorial

Este artigo é baseado em relatos documentados, investigações oficiais, depoimentos de testemunhas e fontes acadêmicas e jornalísticas verificáveis, listadas ao final do texto.

O Casos Ufológicos não afirma nem nega a existência de vida extraterrestre ou de tecnologia de origem não humana. Nossa missão é apresentar o que está documentado e deixar que você forme sua própria conclusão.

Erros, omissões ou sugestões: contato@casosufologicos.com.br

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