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Filmes de UAP analisados pela Marinha dos EUA em Utah e Montana ⏱ 12 min

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Um filme, dois estados e uma investigação militar

Em 4 de maio de 1953, um relatório do U.S. Naval Photographic Interpretation Center registrou os resultados de uma investigação envolvendo filmes de objetos aéreos não identificados capturados nos Estados Unidos.

O material analisado incluía aproximadamente 30 pés de filme cinematográfico colorido de 16 mm, registrado em Utah em 2 de julho de 1952, além de filmes adicionais produzidos em Montana em 1950.

O pedido original partiu da Força Aérea dos Estados Unidos, que solicitou ao Centro uma interpretação técnica das imagens e apresentou uma série de perguntas para orientar a investigação.

O que torna o documento particularmente interessante é que os investigadores não se limitaram a observar visualmente os objetos. Eles utilizaram técnicas de fotogrametria, análise de movimento, densitometria e comparação entre luminosidade e tamanho aparente para tentar determinar o que havia sido registrado nos filmes.

O resultado não foi uma identificação definitiva.

Ao contrário, o relatório concluiu que os analistas não conseguiram associar satisfatoriamente os objetos a fenômenos naturais conhecidos ou a objetos fabricados convencionalmente conhecidos. Ao mesmo tempo, o documento deixa claro que a investigação possuía limitações significativas e que novos testes seriam necessários.

Um filme em condições precárias

Antes que a análise pudesse começar, os investigadores encontraram um problema inesperado.

O filme de Utah estava em condições muito ruins. A película era descrita como seca, quebradiça e com tendência a se romper.

Para preservar o material, os pesquisadores realizaram uma duplicação do filme. Durante esse processo, algumas correções de cor foram feitas com o objetivo de melhorar a visualização dos objetos.

Depois disso, foi desenvolvido um método para produzir gráficos precisos do movimento dos fenômenos.

Um projetor de quadro estático foi rigidamente instalado diante de uma tela de vidro de granulação fina. A imagem foi ampliada aproximadamente 22 vezes, produzindo uma imagem com cerca de 14,2 polegadas de largura.

Essa configuração permitiu que os investigadores criassem sobreposições e gráficos mostrando a posição dos objetos quadro a quadro.

NOTA — Metodologia: O objetivo não era simplesmente "olhar" o filme, mas transformar os movimentos registrados em dados que pudessem ser medidos e comparados matematicamente.

O próprio documento afirma que esse método forneceu uma imagem sem sombras considerada adequada para a elaboração dos gráficos.

O que os investigadores consideraram um objeto real?

A análise preliminar também procurou eliminar possíveis artefatos do filme.

Pontos intensamente coloridos em vermelho e verde que apareciam durante apenas um ou dois quadros foram desconsiderados. Manchas de água identificáveis também foram eliminadas da análise.

Os pesquisadores observaram que os objetos apresentavam características relativamente consistentes de cor, sendo descritos principalmente como azul-brancos.

Além disso, foram registradas variações de tamanho aparente e luminosidade durante o deslocamento dos objetos.

Essa etapa é importante porque demonstra que os investigadores tentaram separar aquilo que poderia ser uma imperfeição ou artefato da película daquilo que parecia corresponder aos próprios fenômenos registrados.

A análise da luminosidade

Uma das partes mais técnicas da investigação envolveu a medição da densidade do filme.

Os pesquisadores utilizaram um instrumento denominado Densichron Model 2150, da Welch Scientific Company.

O céu de fundo foi medido em diferentes pontos para estabelecer uma referência. Depois, foram realizadas leituras dos objetos presentes no filme de Utah e análises de todo o filme de Montana.

Os investigadores perceberam, entretanto, uma limitação importante.

Como os objetos mudavam de tamanho aparente, a sonda utilizada para realizar as medições nem sempre conseguia registrar exatamente a mesma área. Em determinados momentos, ela media praticamente todo o objeto; em outros, apenas uma parte.

O relatório reconhece que o procedimento normal seria medir o objeto inteiro, mas isso não era possível com o equipamento disponível.

Havia ainda outro problema: o filme analisado era uma cópia de uma cópia. Os pesquisadores levantaram a possibilidade de que partes centrais dos objetos pudessem ter sido alteradas durante o processo de duplicação.

Mesmo assim, eles consideraram que as diferenças de densidade permitiam obter informações relativas sobre a luminosidade dos fenômenos.

Quando luminosidade e tamanho começaram a se relacionar

A análise dos gráficos revelou uma relação curiosa.

Quanto maior a luminosidade registrada, maior também parecia ser o tamanho aparente dos objetos.

Inicialmente, os pesquisadores consideraram que isso poderia ser consequência da observação de uma superfície altamente refletora.

Mas essa explicação não pareceu suficiente.

Os objetos permaneceram visíveis durante aproximadamente 90 segundos, enquanto eram registrados através de um ângulo de aproximadamente 60 graus.

Se fossem simplesmente superfícies altamente refletoras, os investigadores esperavam que a luminosidade variasse de maneira diferente durante o deslocamento.

Uma possibilidade levantada foi a existência de balões ou outros objetos esféricos altamente refletivos.

Entretanto, os cálculos de velocidade e aceleração realizados posteriormente foram considerados incompatíveis com essa explicação.

Eram fontes de luz?

A equipe chegou então a uma hipótese diferente.

A opinião majoritária do grupo responsável pela análise era de que as imagens poderiam representar fontes de luz.

Essa interpretação explicaria dois aspectos observados:

a ausência de um comportamento semelhante a uma piscada;
as variações de luminosidade registradas.

Mas havia um problema.

A hipótese de fontes luminosas não explicava satisfatoriamente os valores de velocidade e aceleração calculados pelos investigadores.

O relatório reconhece essa contradição.

Assim, mesmo considerando a possibilidade de que fossem apenas fontes luminosas, os analistas ainda não conseguiam explicar completamente o comportamento observado.

Objetos em forma de disco?

O relatório descreve os objetos como aparentemente oblados ou semelhantes a discos, apresentando coloração azul-branca.

Os investigadores estimaram tamanhos entre aproximadamente 16 e 98 pés.

Mas existe uma ressalva fundamental.

Esses valores foram calculados considerando que os objetos estavam a aproximadamente cinco milhas da câmera.

Portanto, esses números não devem ser interpretados como uma medição física definitiva do tamanho dos objetos.

Eles representam estimativas condicionadas às premissas utilizadas na análise.

A velocidade dos objetos

Foi nesse momento que a investigação adquiriu uma dimensão ainda mais intrigante.

Para determinar a velocidade dos objetos, os pesquisadores estabeleceram três premissas:

  1. A câmera permanecia estável durante determinada parte do filme.
  2. Os objetos se deslocavam perpendicularmente ao eixo óptico da câmera.
  3. Os objetos estavam a cinco milhas do observador.

O próprio relatório reconheceu que a segunda premissa era incorreta como descrição necessariamente verdadeira do movimento. Ainda assim, ela permitia obter uma estimativa considerada mínima.

A distância de cinco milhas também era uma hipótese arbitrária.

Com essas premissas, os pesquisadores calcularam que um deslocamento de 1 milímetro por quadro corresponderia a aproximadamente 3.780 milhas por hora.

No filme de Utah, 55 medições produziram velocidades entre aproximadamente:

378 mph e 2.457 mph.

A aceleração: o aspecto mais controverso

A partir das velocidades estimadas, os investigadores também calcularam acelerações.

Os valores apresentados no relatório são extraordinariamente elevados.

Para o filme de Utah, foram registrados cálculos que chegavam a aproximadamente 965 g de aceleração máxima e 1.479 g de desaceleração máxima.

Esses números chamam atenção porque estão muito acima do que seria normalmente associado a aeronaves convencionais e tripulações humanas.

Mas existe novamente uma questão metodológica.

Os valores dependiam das mesmas premissas utilizadas para calcular distância e trajetória.

Portanto, o documento não demonstra diretamente que um objeto físico tenha suportado centenas ou milhares de vezes a aceleração gravitacional terrestre.

O que ele demonstra é que o movimento aparente registrado no filme, quando submetido ao modelo matemático utilizado pelos investigadores, produziu esses valores.

Essa diferença é fundamental para compreender corretamente o relatório.

Montana ofereceu um controle adicional

O material de Montana apresentava uma característica metodológica interessante.

Objetos terrestres conhecidos apareciam no filme e puderam ser utilizados como referências de controle.

Por esse motivo, os investigadores consideraram os cálculos de velocidade e aceleração realizados para Montana mais confiáveis do que determinados resultados obtidos em Utah.

Foram realizadas 322 medições.

Para um dos objetos, os valores calculados ficaram aproximadamente entre 361 e 1.314 mph.

Para o outro, entre aproximadamente 169 e 1.117 mph.

Também foram calculadas acelerações elevadas para os objetos observados.

O relatório registra ainda que alguns resultados de aceleração e velocidade apareciam aproximadamente em múltiplos de 12,5, algo que os investigadores consideraram potencialmente significativo, embora reconhecessem que nenhuma investigação específica havia sido realizada para determinar o motivo.

Movimentos em grupo

A análise dos gráficos também revelou padrões de movimento.

Os investigadores observaram movimentos tanto individuais quanto em grupo.

Dentro de determinadas formações, os objetos pareciam deslocar-se em trajetórias anti-horárias, descritas como elípticas ou semelhantes a elipses.

Em determinados momentos, dois objetos poderiam cruzar a linha de visão da câmera e parecer se fundir em um único objeto.

Quando continuavam seus movimentos, o fenômeno poderia parecer o contrário: um objeto aparentemente se transformava em dois.

Segundo os gráficos, esse efeito ocorria em intervalos regulares, aproximadamente a cada 25 quadros.

O que os especialistas disseram?

Talvez a parte mais importante do documento esteja na discussão final.

Durante a investigação, os dados preliminares foram apresentados a especialistas com autorização de segurança nas áreas de astronomia e física.

Esses especialistas apresentaram teorias envolvendo fenômenos naturais capazes de explicar determinados aspectos dos registros.

Porém, segundo o relatório, essas teorias não conseguiam explicar os objetos nas condições específicas em que as fotografias foram realizadas.

Os especialistas também não conseguiram reconhecer os objetos como sendo de fabricação humana conhecida.

Isso levou a uma conclusão cuidadosamente formulada.

Os investigadores não afirmaram que os objetos eram extraterrestres.

Também não identificaram um modelo específico de aeronave.

O que registraram foi que os fenômenos não puderam ser satisfatoriamente classificados como fenômenos naturais conhecidos ou como objetos fabricados convencionalmente conhecidos.

A investigação estava longe de ser definitiva

Existe uma característica do documento que frequentemente se perde quando esse tipo de caso é apresentado décadas depois.

Os próprios investigadores reconheceram as limitações de seu trabalho.

A investigação havia sido prejudicada pela falta de:

equipamentos adequados;
dinheiro;
pessoal.

Por isso, o relatório afirma que não houve recursos suficientes para corroborar adequadamente todas as conclusões apresentadas.

Os autores recomendaram que novos testes fossem realizados justamente para confirmar ou refutar os resultados.

Também foi solicitado um estudo espectrofotométrico do filme de Utah, e um plano preliminar para esse teste já estava sendo preparado.

O que podemos realmente concluir?

Mais de sete décadas depois, o documento continua interessante justamente porque não oferece uma resposta simples.

A análise naval encontrou objetos que, segundo os investigadores, apresentavam características difíceis de associar às explicações convencionais disponíveis naquele momento.

Foram registrados movimentos aparentemente incomuns, variações de luminosidade, mudanças de tamanho aparente e velocidades e acelerações calculadas que chamaram a atenção dos analistas.

Por outro lado, praticamente todos os resultados mais extraordinários dependiam de premissas sobre distância, trajetória e comportamento da câmera.

Além disso, a qualidade do filme, o fato de se tratar de uma cópia de uma cópia e as limitações dos equipamentos disponíveis introduziam incertezas adicionais.

Por isso, o caso não deve ser apresentado como uma prova de naves extraterrestres.

Seu verdadeiro valor histórico está em outro lugar.

Em 1953, uma instituição militar norte-americana aplicou técnicas de fotogrametria e análise física a filmes de objetos que não conseguiu identificar satisfatoriamente.

E os próprios investigadores pediram mais recursos para descobrir se suas conclusões poderiam ser confirmadas ou refutadas.

Um documento que permaneceu sem resposta definitiva

O memorando de 1953 representa um retrato fascinante de como fenômenos aéreos anômalos eram investigados antes da era dos sensores digitais, radares modernos e sistemas computacionais avançados.

Os pesquisadores trabalharam com películas cinematográficas, instrumentos de densitometria, projeções ampliadas, gráficos feitos quadro a quadro e modelos matemáticos.

Eles encontraram anomalias.

Tentaram explicá-las.

Consideraram reflexos, fontes luminosas, balões e outros fenômenos.

Compararam movimentos.

Consultaram especialistas.

E, ao final, admitiram que ainda não possuíam dados suficientes para chegar a uma identificação definitiva.

Talvez essa seja justamente a parte mais interessante do documento.

Não existe nele uma declaração de que os objetos eram extraterrestres.

Existe algo mais raro: um registro oficial de uma investigação que terminou com uma pergunta ainda em aberto.

Fontes e referências

Documento principal

U.S. Naval Photographic Interpretation Center. Interpretation of Movies of Unidentified Objects — Progress Report. Memorando de 4 de maio de 1953. Documento posteriormente disponibilizado em arquivos relacionados a UAP do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Material analisado no documento:

Filme de Utah — 2 de julho de 1952
Filmes adicionais de Montana — 1950
Aproximadamente 30 pés de filme colorido de 16 mm referente ao material de Utah
Gráficos fotogramétricos e densitométricos anexados ao relatório
Análises de luminosidade, tamanho aparente, movimento, velocidade e aceleração

◉ ARQUIVO DE EVIDÊNCIAS

Evidências do Caso

Registros oficiais, gravações e documentos vinculados a este dossiê. Créditos junto a cada item.

DOCUMENTO OFICIAL (PDF) ▶ ABRIR DOCUMENTO
Este arquivo contém um memorando referente à avaliação, pelo Centro de Interpretação Fotográfica da Marinha dos EUA, de dois filmes que supostamente retratam objetos aéreos não identificados, capturados em Montana e Utah em 1950 e 1952, respectivamente. FONTE: HTTPS://WWW.WAR.GOV/UFO/
COORDENADAS CATALOGADAS NO GLOBO 3D
◎ LOCALIZAR NO GLOBO — OBJETO AÉREO NÃO IDENTIFICADO — MONTANA, EUA (1950) ◎ LOCALIZAR NO GLOBO — OBJETO AÉREO NÃO IDENTIFICADO — UTAH, EUA (1952)
Nota Editorial

Este artigo é baseado em relatos documentados, investigações oficiais, depoimentos de testemunhas e fontes acadêmicas e jornalísticas verificáveis, listadas ao final do texto.

O Casos Ufológicos não afirma nem nega a existência de vida extraterrestre ou de tecnologia de origem não humana. Nossa missão é apresentar o que está documentado e deixar que você forme sua própria conclusão.

Erros, omissões ou sugestões: contato@casosufologicos.com.br

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