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O Caso Varginha: O Brasil Teve o Seu Roswell — e Ninguém Deveria Esquecer

Publicado em 29/06/2026 ·

Uma Manhã de Janeiro em Minas Gerais

No dia 20 de janeiro de 1996, por volta das sete da manhã, uma mulher identificada apenas como "Oralina" acordou seus filhos com urgência: havia um ser estranho no quintal da casa, encurvado no canto próximo à parede. A família observou o ser por algum tempo antes de acionar vizinhos. A descrição seria repetida por várias outras testemunhas ao longo daquele dia: uma criatura de aproximadamente 1,60 metro, corpo magro, pele marrom-avermelhada, cabeça grande em forma de V invertido, três protuberâncias na cabeça, olhos vermelhos e grandes, e um odor fortíssimo — descrito por todos como semelhante a amônia.

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Varginha é uma cidade de aproximadamente 120 mil habitantes no sul de Minas Gerais, conhecida como polo cafeeiro e, entre os entusiastas do fenômeno, como o local do caso ufológico mais importante da história brasileira após a Operação Prato. O que aconteceu ali em janeiro de 1996 permanece, três décadas depois, sem resposta oficial.

As Três Jovens e a Criatura

O relato mais documentado do caso envolve três jovens: Liliane, Valquíria e Kátia Xavier. No final da tarde de 20 de janeiro, as três estavam a caminho de casa quando avistaram um ser encurvado próximo a um muro no bairro Jardim Andere. A descrição foi idêntica à da manhã: corpo magro, cabeça grande, olhos vermelhos, odor intenso.

As jovens fugiram em pânico. Kátia chegou a cair durante a corrida. Ao chegarem em casa, relataram o que viram para as famílias — e os relatos foram consistentes entre si e com as outras testemunhas daquele dia.

O que torna o depoimento das três particularmente valioso é que elas não tinham, até aquele momento, nenhum conhecimento dos outros avistamentos que haviam ocorrido horas antes na mesma cidade. A consistência das descrições, portanto, não pode ser atribuída a contaminação por informação prévia.

O Exército Entra em Cena

Aqui o caso assume uma dimensão que vai além do relato de testemunhas civis.

Testemunhas e pesquisadores documentaram a presença de viaturas militares do Exército Brasileiro nas ruas de Varginha naquele dia e nos dias seguintes. Segundo múltiplos relatos, soldados teriam capturado ao menos um dos seres — possivelmente dois — e transportado em veículos militares.

O pesquisador Ubirajara Franco Rodrigues, advogado e professor universitário de Varginha, e o pesquisador A. J. Gevaerd, da Revista UFO Brasil, investiram anos na investigação do caso. Ambos documentaram depoimentos de militares que admitiram, em off, ter participado de operações de contenção e transporte de "algo incomum" naqueles dias.

O Exército Brasileiro nunca confirmou nenhuma operação em Varginha em janeiro de 1996. A ausência de desmentido formal — ao invés de uma negação direta e documentada — é um dos elementos mais notados pelos pesquisadores.

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O Hospital e a Morte do Policial

O caso Varginha tem um capítulo que eleva a tensão dramaticamente: a morte do soldado Marco Eli Cherem.

Segundo investigadores, Cherem foi um dos policiais militares envolvidos na contenção de um dos seres. Ele adoeceu de forma súbita pouco depois e morreu em circunstâncias descritas por sua família como inexplicáveis para um homem jovem e saudável. A família sempre relacionou sua morte ao contato com o
ser capturado — sugerindo que o organismo ou algum fluido associado a ele teria causado contaminação.

Oficialmente, a morte foi atribuída a leptospirose — doença transmitida por urina de ratos. A família e os pesquisadores contestaram essa versão, apontando inconsistências no diagnóstico e no tempo de progressão da doença.

A enfermeira do Hospital Humanitas de Varginha, identificada pela pesquisadora Denise Spilman como fonte anônima, afirmou ter visto um ser não humano ser trazido ao hospital naqueles dias. O depoimento foi colhido sob promessa de anonimato — a testemunha afirmou temer represálias.

Por que Varginha Importa para a Ufologia Brasileira

O Brasil tem uma tradição rica e subestimada no fenômeno UAP: a Operação Prato no Pará, o Caso Colares, os arquivos parcialmente desclassificados pela FAB. Mas Varginha é diferente porque envolve não apenas avistamentos aéreos, mas contato direto — testemunhas que relatam ter visto, sentido o cheiro e, no caso de algumas, tocado ou se aproximado a menos de três metros de um ser de aparência não humana.

É o tipo de caso que, nos Estados Unidos, teria gerado audiências no Congresso, coberturas extensas de grandes redes e investigações independentes com recursos. No Brasil, gerou uma investigação jornalística séria por parte da Revista UFO Brasil, um livro dos pesquisadores Rodrigues e Gevaerd, e décadas de silêncio institucional.

A cidade de Varginha, ironicamente, abraçou o caso como identidade cultural: há um monumento ao ET de Varginha na cidade, o time de futebol local tem um mascote alienígena e o turismo ufológico movimenta parte da economia local. O Brasil transformou em ponto turístico algo que talvez merecesse uma investigação parlamentar.

O Documentário e a Renovação do Interesse

Em 2023, o documentário "Momento de Contato" (título original: "Moment of Contact"), produzido pelo cineasta James Fox — responsável por outros documentários sérios sobre UAPs — trouxe Varginha para o circuito internacional. O documentário apresentou novas entrevistas com testemunhas, incluindo algumas que nunca haviam falado publicamente antes, e foi exibido em festivais e plataformas de streaming internacionais.

O impacto foi significativo: pela primeira vez, investigadores americanos e europeus passaram a citar Varginha com a mesma seriedade com que citam Roswell ou o Nimitz. O caso brasileiro ganhou, tardiamente, o reconhecimento que sempre mereceu no debate global.

O que Ainda Não Sabemos

Quase 30 anos depois, as perguntas fundamentais do caso Varginha continuam sem resposta:

O que as testemunhas viram? A consistência dos relatos — múltiplas pessoas, em momentos diferentes, sem contato prévio entre si — é difícil de explicar como invenção coletiva ou alucinação.

O Exército capturou algo? A presença militar documentada por testemunhas e pesquisadores nunca foi explicada nem negada formalmente.

O policial Marco Eli Cherem morreu em consequência do contato? A família acredita que sim. O governo nunca respondeu diretamente.

Varginha é, acima de tudo, um espelho da relação do Brasil com o fenômeno: rica em evidências testemunhais, pobre em transparência institucional, e ainda esperando o nível de investigação que o caso claramente merece.

Fontes e Referências:

• Rodrigues, Ubirajara Franco & Gevaerd, A. J. — "Varginha: O Dossiê Oficial do Caso" — Revista UFO Brasil
• Fox, James — "Moment of Contact" (Documentário, 2023)
• Gevaerd, A. J. — Investigações publicadas na Revista UFO Brasil (múltiplas edições, 1996–2023)
• Revista UFO Brasil — https://www.ufo.com.br
• Pacaccini, Marco — depoimentos documentados sobre o caso Varginha, 1996
• MUFON (Mutual UFO Network) — arquivos do caso Varginha — https://mufon.com

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Fontes e Referências
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