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Caso Varginha: O Que os Documentos Mostram e o Que Continua em Disputa ⏱ 16 min

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Caso Varginha: O Que os Documentos Mostram e o Que Continua em Disputa

Na tarde de 20 de janeiro de 1996, pouco depois das 15h, três jovens de 21, 16 e 14 anos voltavam para casa pelo bairro Jardim Andere, em Varginha, no sul de Minas Gerais.

Em um terreno baldio, agachada junto a um muro, elas disseram ter visto uma figura que não parecia humana nem animal. Pele escura, cabeça grande, olhos avermelhados. Fugiram correndo.

O que aconteceu a partir dali se tornou o caso ufológico mais conhecido do Brasil e um dos mais discutidos do mundo.

Trinta anos depois, existem duas versões documentadas do episódio.

Uma delas ocupa seiscentas páginas de inquérito militar, está publicada na internet e conclui que não houve nada.

A outra reúne depoimentos que nunca foram retirados, laudos médicos que geram estranheza até hoje e a morte de um policial de 23 anos que ninguém explicou de maneira que satisfizesse sua família.

Este artigo apresenta as duas.

O que está estabelecido

Antes de entrar na disputa, vale separar o que não é contestado por nenhum dos lados.

InformaçãoDado
Data20 de janeiro de 1996
Horário do avistamento principalPouco depois das 15h
LocalTerreno baldio no bairro Jardim Andere, Varginha (MG)
Testemunhas principaisLiliane, Valquíria e Kátia — 21, 16 e 14 anos
Condições meteorológicasDia de chuvas intensas, com registro de granizo na região
Descrição relatadaSer agachado, pele escura, cabeça grande, olhos grandes e avermelhados
Investigação oficialInquérito Policial Militar aberto em março de 1996
Conclusão do IPM11 de abril de 1997, no quartel de Três Corações (MG)
Status do inquéritoArquivado; dois volumes disponíveis publicamente no site do STM
Morte associada ao casoSoldado Marco Eli Chereze, 15 de fevereiro de 1996, aos 23 anos
Causa oficial da morteSepticemia por infecção bacteriana
Evidência física recuperadaNenhuma
Fotografia ou vídeo do serNenhum conhecido

Os relatos daquele dia

O depoimento das três jovens é o núcleo do caso, e permanece o mesmo há três décadas: uma criatura agachada junto ao muro, magra, de pele escura, cabeça desproporcional e olhos vermelhos.

Elas fugiram. Uma delas caiu durante a corrida. Ao chegarem em casa, contaram o que tinham visto.

Nos dias seguintes, outros moradores relataram avistamentos semelhantes, incluindo referências a um odor forte comparado a amônia — detalhe que se tornou uma das marcas do caso na literatura ufológica.

Nos dias que se seguiram, moradores descreveram movimentação incomum na cidade: viaturas do Exército, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, ambulâncias e atividade atípica em hospitais.

Foi essa percepção — somada aos relatos das jovens — que gerou a narrativa central do caso: a de que uma ou duas criaturas teriam sido capturadas e removidas da cidade.

Versão A: o inquérito do Exército

Em março de 1996, o Exército Brasileiro instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar as denúncias, publicadas na imprensa e em livros, de que viaturas e militares teriam participado da captura e do transporte de um ser não humano.

O inquérito foi encaminhado à Auditoria da 4ª Circunscrição Judiciária Militar, em Juiz de Fora, e concluído em 11 de abril de 1997.

O Superior Tribunal Militar liberou o acesso digital aos dois volumes do IPM, com cerca de trezentas páginas cada, disponíveis para consulta pública.

O que o inquérito fez

Segundo os autos, a investigação não se limitou a perguntar se houve operação. Ela reconstruiu a logística.

O IPM detalhou horários de serviço, escalas, itinerários, saídas e retornos de viaturas, confrontando esses registros com as versões divulgadas publicamente. A análise apontou incompatibilidade temporal e logística entre os relatos ufológicos e as atividades efetivamente desempenhadas pelas unidades no período.

Nenhum dos depoentes confirmou operação de captura ou transporte. Todos negaram deslocamento atípico, missão sigilosa ou ordem superior relacionada ao episódio.

O inquérito ouviu também os autores do livro que popularizou o caso, e concluiu que a obra não possuía caráter científico e deveria ser tratada como ficção.

A hipótese do erro de percepção

O IPM apresentou uma explicação alternativa para a origem dos relatos.

O comandante do 24º Batalhão da Polícia Militar apresentou fotografias de um morador da região conhecido como "Mudinho", identificado como Luís Antônio de Paula.

Segundo o relatório, o homem apresentaria possível desvio mental e, estando sujo e agachado próximo a um muro após as chuvas, poderia ter provocado o pânico nas jovens.

O inquérito registrou ainda que o dia foi de chuvas intensas, com granizo na região.

O Exército e o Corpo de Bombeiros negaram, formalmente e desde o início, qualquer envolvimento com seres não identificados. Questionado posteriormente, o Exército afirmou que o assunto foi encerrado com a conclusão do IPM.

Versão B: o que os pesquisadores contestam

A versão oficial nunca convenceu as testemunhas nem os investigadores do caso. E os pontos de contestação são específicos.

As jovens rejeitaram a explicação do "Mudinho"

Este é o ponto mais direto. As três testemunhas sempre recusaram essa versão — não uma vez, mas ao longo de trinta anos, incluindo em depoimentos recentes.

Não se trata de uma retratação que nunca veio: trata-se de uma negativa ativa, repetida por três pessoas diferentes, ao longo de três décadas.

A hipótese não cobre o caso inteiro

Mesmo que se aceite que as jovens confundiram um morador com um ser não humano, isso não explica:

Uma explicação que cobre o primeiro avistamento não cobre automaticamente tudo o que veio depois.

Os depoimentos militares em off

Pesquisadores como Ubirajara Franco Rodrigues, advogado de Varginha, A. J. Gevaerd, da Revista UFO, Vitório Pacaccini, autor de Incidente em Varginha (1996), e Marco Antônio Petit afirmam ter colhido depoimentos de militares que, sob anonimato, admitiram participação em operações de contenção e transporte.

Esses depoimentos são a base da versão ufológica.

A morte de Marco Eli Chereze

O ponto mais delicado do caso — e o único em que existe documentação médica real para examinar.

Marco Eli Chereze morreu em 15 de fevereiro de 1996, aos 23 anos, menos de um mês após o episódio. Era jovem, atlético, sem histórico de doenças. Sua esposa estava grávida de gêmeos.

Segundo os ufólogos, Chereze teria participado de uma operação noturna nas proximidades do Jardim Andere na noite de 20 de janeiro e teria tocado uma das criaturas sem luvas.

A versão oficial

Segundo o Inquérito Policial Militar nº 18/97 e laudos do Instituto Médico Legal de Minas Gerais, Chereze morreu de septicemia causada pela bactéria Staphylococcus aureus, com insuficiência respiratória aguda e choque bacteriano.

Um laudo assinado pelo médico-legista Dr. João Batista de Souza detalha o mecanismo: o soldado possivelmente sofreu pequena lesão cutânea superficial no membro superior, na qual foi inoculada a bactéria Staphylococcus schleiferi — descrita no documento como rara, dotada de mecanismos de resistência a antibióticos e capaz de invadir o sistema circulatório, produzindo septicemia grave.

Relatos indicam que, poucos dias após 20 de janeiro, surgiu um furúnculo em uma das axilas do soldado, extraído nas dependências do próprio quartel.

As conclusões oficiais apontam que não há ligação entre o óbito e os acontecimentos ufológicos.

A família solicitou a exumação do corpo, realizada cerca de dois anos depois mediante autorização judicial. Os exames complementares não alteraram a causa mortis registrada.

O que continua incomodando os médicos

Aqui a contestação não é apenas de ufólogos. É de profissionais que examinaram o material.

O patologista Dr. João Baptista Macuco Janini, responsável pela análise microscópica dos tecidos, declarou publicamente considerar estranha a virulência e a agressividade da bactéria identificada.

O legista Armando Furtado, que afirma ter atuado em Varginha à época e participado da autópsia, descreveu uma bactéria extremamente agressiva e resistente a medicamentos, e afirmou que esse quadro não é comum em pessoas jovens.

Há ainda um dado laboratorial: os exames de Chereze mostraram contagem de glóbulos brancos muito baixa, o que pesquisadores apontam como incompatível com a evolução esperada de um quadro infeccioso em um homem saudável de 23 anos.

O que nunca apareceu

Vale registrar, com a mesma clareza, o outro lado da balança.

Em trinta anos de investigação, com prêmio em dinheiro oferecido publicamente — James Fox ofereceu 200 mil dólares por fotografia ou vídeo original da criatura em 2023 — nunca surgiu:

O prêmio não produziu resultado.

Isso não prova que nada aconteceu. Mas é um dado, e ele pesa.

O caso volta ao circuito internacional

Em 18 de outubro de 2022, o cineasta americano James Fox lançou Moment of Contact, resultado de cerca de dez anos de investigação em parceria com o pesquisador brasileiro Marco Aurélio Leal. A linha de divulgação do filme chamava o caso de "o Roswell do Brasil".

Em dezembro de 2025, Fox lançou uma versão ampliada, Moment of Contact: New Revelations of Alien Encounters, com depoimentos inéditos — incluindo o do neurocirurgião Ítalo Venturelli, sobre um suposto contato no Hospital Regional.

Em 20 de janeiro de 2026, nos trinta anos do caso, foi realizada uma coletiva de imprensa no National Press Club, em Washington, apresentando novas testemunhas.

Também em 2025 e 2026, a série O Mistério de Varginha foi produzida para o Globoplay, com depoimentos das testemunhas.

Varginha, por sua vez, incorporou o caso à identidade da cidade. Há um Memorial do ET, inaugurado em 2022, e o turismo ufológico movimenta parte da economia local.

Os três níveis do caso

Separando o que temos:

Fato documental

Três jovens relataram, em 20 de janeiro de 1996, ter visto uma figura de aparência incomum em Varginha. O caso gerou repercussão nacional imediata. O Exército instaurou um Inquérito Policial Militar em março de 1996, concluído em abril de 1997 e arquivado, com dois volumes hoje públicos. O soldado Marco Eli Chereze morreu em 15 de fevereiro de 1996, de septicemia por infecção bacteriana, segundo laudos do IML de Minas Gerais. O corpo foi exumado cerca de dois anos depois, sem alteração do diagnóstico.

Relato

A descrição física da criatura. O odor comparado a amônia. Os avistamentos adicionais. A movimentação militar percebida pelos moradores. A atividade incomum em hospitais. Os depoimentos anônimos de militares. A participação de Chereze em uma operação de captura.

Nada disso é acompanhado de registro documental, fotográfico ou material.

Hipótese

Que os objetos ou seres tivessem origem não humana. Que tenha havido captura e transporte. Que a morte de Chereze tenha relação com contato biológico.

Nenhuma dessas hipóteses é sustentada por evidência material.

Em disputa ativa

Se as jovens confundiram um morador da cidade com um ser não humano. Se a movimentação militar percebida era rotineira ou não. Se o quadro clínico de Chereze é compatível com uma infecção bacteriana comum.

O que continua sem resposta

Depois de trinta anos, e sendo honesto com o leitor, as perguntas em aberto são estas:

Por que as três testemunhas nunca recuaram? Trinta anos são muito tempo para sustentar um relato, especialmente sob ridicularização pública. Isso não prova o conteúdo do relato, mas é um dado que qualquer explicação precisa acomodar.

Por que a hipótese do "Mudinho" nunca foi testada diretamente com as testemunhas? As fotografias foram apresentadas no inquérito, mas não há registro público de um reconhecimento formal que as jovens tenham aceitado ou recusado nos autos.

O quadro clínico de Chereze fecha? Profissionais identificados dizem que a virulência foi anômala. A exumação não mudou o diagnóstico. As duas coisas são verdadeiras simultaneamente.

Por que nunca apareceu um único registro material? Em três décadas, com prêmio em dinheiro e interesse internacional, nenhuma imagem, amostra ou documento surgiu.

E por que o inquérito é tão pouco lido? Seiscentas páginas estão públicas há tempo suficiente, e boa parte do debate brasileiro sobre Varginha continua sendo feito sem que ninguém as abra.

Conclusão

O Casos Ufológicos não vai dizer ao leitor o que aconteceu em Varginha, porque não sabemos.

O que podemos fazer é entregar o caso montado de forma honesta.

De um lado, existe uma investigação militar formal, com reconstituição logística, depoimentos identificados sob responsabilidade funcional, uma explicação alternativa concreta e uma conclusão arquivada. Ela está publicada e pode ser lida por qualquer pessoa.

Do outro, existem três testemunhas que jamais mudaram sua versão, depoimentos militares anônimos coletados por pesquisadores que dedicaram décadas ao assunto, uma discordância médica real e documentada sobre a morte de um homem de 23 anos, e a ausência conspícua de qualquer explicação oficial que tenha convencido a família dele.

As duas versões não podem estar inteiramente certas.

E, com o material hoje disponível, nenhuma delas pode ser eliminada.

O que é possível afirmar, sem hesitação, é apenas isto: em janeiro de 1996, algo aconteceu em Varginha que três décadas de investigação, um inquérito militar, laudos médicos, exumação judicial, dois documentários internacionais e uma oferta de 200 mil dólares não conseguiram encerrar.

O caso permanece sem identificação definitiva.

Fontes e referências

Documentação oficial

Inquérito Policial Militar instaurado pelo Exército Brasileiro em março de 1996, concluído em 11 de abril de 1997 em Três Corações (MG). Dois volumes, aproximadamente 300 páginas cada, disponíveis para consulta pública no site do Superior Tribunal Militar.

Inquérito Policial Militar nº 18/97 e laudos do Instituto Médico Legal de Minas Gerais referentes à morte de Marco Eli Chereze.

Laudo de necropsia assinado pelo médico-legista Dr. João Batista de Souza.

Pesquisadores do caso

Vitório Pacaccini — Incidente em Varginha (1996), com reedição ampliada em 2023 em coautoria com Maxs Portes.
Ubirajara Franco Rodrigues — advogado e pesquisador de Varginha.
A. J. Gevaerd — Revista UFO Brasil (ufo.com.br), múltiplas edições desde 1996.
Marco Antônio Petit e Marco Aurélio Leal — investigações posteriores.

Documentários

Moment of Contact, James Fox, 2022.
Moment of Contact: New Revelations of Alien Encounters, James Fox, dezembro de 2025.
O Mistério de Varginha, Globoplay, 2025/2026.

Depoimentos médicos

Dr. João Baptista Macuco Janini — análise microscópica dos tecidos.
Dr. Armando Furtado — legista que afirma ter participado da autópsia.

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◎ LOCALIZAR NO GLOBO — CASO VARGINHA - MINAS GERAIS (BRASIL)
Nota Editorial

Este artigo é baseado em relatos documentados, investigações oficiais, depoimentos de testemunhas e fontes acadêmicas e jornalísticas verificáveis, listadas ao final do texto.

O Casos Ufológicos não afirma nem nega a existência de vida extraterrestre ou de tecnologia de origem não humana. Nossa missão é apresentar o que está documentado e deixar que você forme sua própria conclusão.

Erros, omissões ou sugestões: contato@casosufologicos.com.br

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