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A Equação de Drake: Uma Fórmula para Medir o que Não Sabemos

Publicado em 29/06/2026 ·

Uma Reunião em Green Bank

Em novembro de 1961, Frank Drake convocou o primeiro encontro científico formal dedicado à busca de inteligência extraterrestre, no Observatório Nacional de Radioastronomia em Green Bank, West Virginia.

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Entre os participantes estava Carl Sagan, então um jovem astrônomo; o neurocientistaJohn Lilly; e vários outros cientistas de disciplinas diversas.

Para organizar a discussão, Drake escreveu no quadro-negro uma equação. Não era uma fórmula para calcular nada com precisão — era um roteiro, uma maneira de estruturar as perguntas certas sobre a existência de vida inteligente no universo. Mas ela se tornaria uma das equações mais famosas da história da ciência.

A Equação de Drake é: N = R* × fp × ne × fl × fi × fc × L

O que Cada Variável Significa

R* — Taxa de formação de estrelas semelhantes ao Sol na Via Láctea por ano. Hoje sabemos com razoável precisão que a galáxia forma algo entre uma e três novas estrelas do tipo solar por ano. Esta é a variável mais bem conhecida da equação.

fp — Fração dessas estrelas que possuem sistemas planetários. Quando Drake escreveu a equação, não havia nenhum exoplaneta confirmado. Hoje, graças ao telescópio Kepler e seu sucessor TESS, sabemos que a maioria das estrelas tem planetas. fp está provavelmente próximo de 1 — quase toda estrela tem planetas.

ne — Número médio de planetas por sistema estelar que poderiam suportar vida. Este é o ponto onde a incerteza começa a crescer. Estimativas variam de 0,1 a 2 planetas habitáveis por sistema com planetas.

fl — Fração dos planetas habitáveis onde a vida de fato surge. Aqui a incerteza dispara. No Sistema Solar, a vida surgiu em pelo menos um de quatro planetas na zona habitável (Terra, Marte, Vênus e Europa de Júpiter são candidatos). Mas não sabemos se a Terra é típica ou excepcional. Estimativas variam de quase 1 (vida surge em qualquer lugar com as condições certas) a 0,00001 (a vida é extremamente rara).

fi — Fração dos planetas com vida onde surge inteligência. A vida na Terra existiu por 3,5 bilhões de anos antes de produzir inteligência tecnológica. Isso sugere que fi pode ser muito baixo — a inteligência não é o destino óbvio da evolução biológica.

fc — Fração das civilizações inteligentes que desenvolvem tecnologia de comunicação detectável. Mesmo que inteligência surja, ela precisa produzir algo que possamos detectar — emissões de rádio, lasers, poluição atmosférica detectável. A humanidade emite rádio há pouco mais de um século.

L — Tempo médio que uma civilização tecnológica permanece ativa e detectável. Este é o grande desconhecido e, paradoxalmente, o mais relevante. Se civilizações tendem a se autodestruir rapidamente após atingir a tecnologia nuclear — como a Guerra Fria sugeria ser possível para nós — L pode ser pequeno. Se sobrevivem, L pode ser de milhões de anos.

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Os Números: Do Pessimismo ao Vertigem

A elegância perturbadora da Equação de Drake é que ela produz respostas radicalmente diferentes dependendo das suposições que você usa.

No cenário pessimista, onde fl, fi e L são todos muito baixos, N pode ser menor do que 1 — o que sugeriria que somos a única civilização ativa na galáxia no momento. Esta é a premissa da Hipótese da Terra Rara.

No cenário otimista, onde cada variável favorece a vida e a longevidade, N pode chegar a dezenas de milhares de civilizações ativas na Via Láctea simultaneamente. Nesse cenário, o silêncio do universo — o Paradoxo de Fermi — torna-se ainda mais perturbador.

O astrônomo Seth Shostak, do SETI Institute, estima que se aplicarmos valores conservadores baseados nos dados atuais de exoplanetas, a equação sugere que pode haver entre 10.000 e 100.000 civilizações na Via Láctea. Mesmo no limite inferior, isso significa que a civilização inteligente mais próxima pode estar a apenas algumas centenas de anos-luz.

O que os Dados Novos Mudaram

Quando Drake escreveu sua equação, fp (fração de estrelas com planetas) era completamente desconhecida. A confirmação do primeiro exoplaneta em torno de uma estrela similar ao Sol veio apenas em 1995, com Michel Mayor e Didier Queloz — trabalho que lhes rendeu o Prêmio Nobel de Física em 2019.

Desde então, o telescópio Kepler identificou mais de 2.600 exoplanetas confirmados, com milhares de candidatos adicionais. O TESS continua esse trabalho. A conclusão atual é que planetas são a regra, não a exceção — fp está próximo de 1.

Isso fortalece o lado "otimista" da equação e torna o resultado de N dependente principalmente de fl, fi, fc e L — as variáveis que ainda não conseguimos medir diretamente.

A Equação e a Ufologia

Há uma tensão interessante entre a Equação de Drake e a ufologia. A equação parte do pressuposto de que não temos evidência de vida extraterrestre e busca estimar a probabilidade de que ela exista. A ufologia parte do pressuposto de que a evidência pode já existir — em relatos, em dados de radar, em casos como Nimitz e Varginha — e busca verificar e sistematizar essa evidência.

Eles não são mutuamente excludentes. São, na verdade, complementares. Se a equação sugere que civilizações tecnológicas provavelmente existem em nossa galáxia, isso fornece contexto para os casos ufológicos mais robustos. E se casos como o Nimitz indicam que objetos de propulsão desconhecida frequentam nosso espaço aéreo, isso fornece evidência empírica para as variáveis mais incertas da equação.

Frank Drake passou sua vida construindo a ponte entre esses dois mundos — a especulação científica rigorosa sobre a probabilidade de vida e a busca ativa por evidências dela. Ele morreu em 2022, aos 92 anos, sem ter encontrado a confirmação que buscou. Mas a estrutura que construiu com aquela equação em um quadro-negro de West Virginia em 1961 ainda é o melhor mapa que temos para a pergunta mais importante de todas.

Fontes e Referências:

• Drake, Frank — "Project Ozma" — Physics Today (1961)
• Drake, Frank & Sobel, Dava — "Is Anyone Out There? The Scientific Search for Extraterrestrial Intelligence" (1992)
• Shostak, Seth — "Confessions of an Alien Hunter" (2009)
• SETI Institute — https://seti.org
• NASA Exoplanet Archive — https://exoplanetarchive.ipac.caltech.edu
• Mayor, Michel & Queloz, Didier — "A Jupiter-mass companion to a solar-type star" — Nature (1995)

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Fontes e Referências
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